quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O PLANO DO JECA TATU

Prefeito de Paraty/RJ apresenta para os secretários municipais o Plano de Metas Estratégicas do Governo e afirma que "cada uma das secretarias de Paraty terá que cumprir metas que serão avaliadas por uma Central de Resultados ligada ao Gabinete e que estão divididas em seis eixos: equilíbrio fiscal, qualidade e eficiência na Saúde, avanços da educação, segurança pública, turismo sustentável e transparência e engajamento social".
Logo nos primeiros dias do mandato passado tentou-se engendrar uma política de planejamento estratégico, mas pela crítica e ignorância do alto escalão municipal, nada foi continuado. 
Um plano para inglês ver e destinado a um público-alvo que já cansou de ser subestimado pela arrogância e desfaçatez do governo. A "estratégia Mazzaropi" às avessas de governar não descortina o caos, apenas tenta desviar o foco. 

Parece ser interessante e oportuno, porém ninguém da população de Paraty conhece tal plano, suas metas estratégicas e a tal Central de Resultados atrelada ao Gabinete. Nesse sentido, mesmo tendo êxito dentro dos eixos estabelecidos e mesmo apresentando eficiência e eficácia, corre-se o risco de não ter efetividade e errar o alvo.

Tudo indica que teremos uma versão estereotipada da gestão pública à la João Doria Jr. O mais interessante é que não há nenhuma cultura organizacional deixada de legado pelos 4 anos do mandato anterior que sinalize a adoção de ferramentas de Administração de Empresas como meios para medir e avaliar o desempenho das ações do governo. Por isso, o desconhecido plano já nasce fadado à uma pífia execução.

Desde já fica aqui registrado o epíteto do plano estratégico como o "Plano do Jeca Tatu". A "estratégia Mazzaropi" às avessas de governar é a de idealizar planos fajutos e que tentam passar uma imagem moderna e profissional da Administração Pública, mas a população continuará abandonada, à mercê da sorte, da miséria e do atraso econômico. Talvez o plano e seus resultados incongruentes e descolados da realidade pretendam dar contornos românticos e utópicos à verdadeira condição do município após 4 anos de desmandos. Ao contrário de Monteiro Lobato, que desnudou as péssimas condições de vida do caipira brasileiro, quando afirmou: “Jeca Tatu não é assim, ele está assim”.

O que esperar de tal plano? Nada. Tanto é verdade que até hoje as metas fiscais previstas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (PRF) são meras formalidades. Um amontoado de informações desencontradas e relatórios elaborados apenas para cumprir a lei. Não há gestão, direção ou rumo. Em 2016 não houve nem fixação da meta de resultado primário na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Portanto, se para um dos seis eixos definidos, o equilíbrio fiscal, e que tem o acompanhamento do TCE-RJ, já não é levado a sério, como acreditar no cumprimento das metas estratégicas de um plano que nem conhecemos? Como acreditar que depois dos gastos públicos realizados e tais metas atendidas, haverá melhorias para a maioria da população?

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