sábado, 13 de outubro de 2012

Para manter-se no poder o governante precisa ir além dos seus próprios desejos


O que é a Virtude? É uma disposição da Alma que induz à prática do Bem. Virtuoso seria praticar a bondade, a honestidade, etc. Para Aristóteles (384-322 a. C.) seria a disposição permanente do ânimo para o bem. Antes dele, Platão (429-347 a. C.) e Sócrates (470-399 a. C.) também trataram da Virtude.  
Aristóteles avança e a define em Ética a Nicômaco, II, 6: “A virtude é portanto uma disposição adquirida voluntária, que consiste, em relação a nós, na medida, definida pela razão em conformidade com a conduta de um homem ponderado. Ela ocupa a média entre duas extremidades lastimáveis, uma por excesso, a outra por falta. Digamos ainda o seguinte: enquanto, nas paixões e nas ações, o erro consiste ora em manter-se aquém, ora em ir além do que é conveniente, a virtude encontra e adota uma justa medida. Por isso, embora a virtude, segundo sua essência e segundo a razão que fixa sua natureza, consista numa média, em relação ao bem e à perfeição ela se situa no ponto mais elevado”.
E o vício? Também um hábito inclinado aos vis interesses e paixões mundanas. Adaptar o espírito humano às grandes afeições e regular os costumes com base na Moral. Assim, o Homem poderá dar a Alma o equilíbrio de força e sensibilidade necessárias para praticar o Bem. Mas, para ter tal disposição será preciso muito trabalho, pois o caminho do Bem é penoso.
Nesse sentido, a necessidade e as dificuldades impostas ao Homem são forjadoras da Virtude. Não a Virtude no conceito de Aristóteles, mas a Virtú no conceito de Maquiavel. A Virtude em Maquiavel é a qualidade do Homem ativo que luta contra as necessidades e as vence. De maneira geral, o Homem tenta esquivar-se dos perigos e busca a qualquer custo alcançar vantagens. Seu desejo é a facilidade e não os obstáculos. É da sua Natureza Humana! Apenas a necessidade será capaz de forjar o caráter e torná-lo virtuoso, pois a natureza nos fez desejantes e não virtuosos.
Quem quiser praticar sempre a bondade em tudo o que faz está condenado a penar entre tantos que não são bons. É necessário, portanto, que o príncipe que deseja manter-se aprenda a agir sem bondade, faculdade que usará ou não, em cada caso, conforme seja necessário” (Maquiavel, O Príncipe, XV).
Dessa forma, não existem atitudes boas ou más, apenas desejos ou necessidades. 
A Virtú é a capacidade de superar obstáculos impostos à realização dos desejos. Um bom governante não deseja o Bem, pois este não existe. Ele deseja os bons resultados. Tornar-se eficaz e saber distinguir o que é possível ser feito para alcançar o sucesso do que seria apenas um impulso para a sua realização, define o conceito de Virtú: a eficácia a partir de um saber próprio para superar obstáculos e atingir o que deseja. Não é o Bem que motiva o governante, mas a eficácia do resultado atingido.
O governante, detentor de muito poder, encontra menos obstáculos aos desejos. Porém, é neste caso que a Virtú é ainda mais necessária, pois os seus fracassos e sucessos afetam a vida de muitos. Um bom governante não deve deixar o poder subir à cabeça e ignorar as necessidades e obstáculos. O poder não é o fim em si mesmo, mas o início de uma longa e dura batalha para enxergar os outros obstáculos além do seu querer, ou seja, enxergar também como seus as necessidades, os desejos e os obstáculos impostos ao povo.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A BARCA FURADA

Era uma vez um reino......

Um reino repleto de sucessivas mudanças de poder. Desde 1996 até os dias atuais passaram pelo trono 3 soberanos. 
De 1997 a 2000 o 1º czar governou seu reino cercado por muros altos e uma única ponte interligou o burgo. Seu sucessor, inexpressivo e ainda tímido é superado pela vontade do povo.
Um revolução cultural bateu sobre a cidade e o déspota foi substituído pela pujante promessa de trazer pessoas a partir das viagens entre os reinos para estimular a economia. Porém, os maus tratos à plebe gerou revoltas e este reino também sucumbiu em 2004 em meio à lama de denúncias e acusações.
Em 2005 um novo soberano, alavancado por riquezas vindas de um líquido preto e precioso, governa o trono e distribui benesses e favores a todos. O seu sucessor, já experiente nesta função, por ter exercido o cargo de vice-rei de 1997 a 2000, tenta manter a sua posição e colocar-se na condição de iminente sucessor, aproveitando-se oportunamente do legado deixado. Mas, sua popularidade não é boa. Tornou-se "papagaio de pirata" das obras do reino, mas sua figura patética não é vinculada ao feito. "Como posso ser tão ignorado pelo povo e o soberano ser tão bem avaliado", indaga a si próprio.
Como o vice não apresentava o ibope esperado, os últimos dois ex-soberanos vêem uma chance ímpar de ocupar o seu lugar na linha sucessória. Agora, o soberano tem três ávidos candidatos a substituí-lo.
O soberano, utilizando-se de sua astúcia e perspicácia, aguarda o melhor momento para costurar uma aliança entre o três. Ou seja, uma "grande barca furada" é cuidadosamente articulada para enterrar de vez a vida política dos seus possíveis adversários num novo reino que poderá iniciar-se em 2017.
Enganam-se os aviltantes cortesãos que vislumbram a sucessão do reinado vinda a cavalo, vestida de laranja, com uma espada na mão e bravando mudança.
A MUDANÇA ESTÁ ANUNCIADA, MAS VIRÁ APENAS COM UMA PÁ DE CAL NAS MÃOS. APENAS UMA ÚNICA PÁ DE CAL....
Moral da história: "À pobreza faltam muitas coisas, à avidez falta tudo", Públio.