domingo, 30 de setembro de 2012

A ESPERADA MUDANÇA


No próximo domingo (7/10/2012) Paraty vai às urnas para escolher o seu prefeito e vereadores. Mas, não é só isto! Estaremos prestando uma homenagem ao pensador que expôs a verdade nua e crua sobre a Política. A Política foi desnudada e suas vísceras e entranhas expostas, sobretudo seus atores, homens comuns, fracos, corruptos. A Política é assim, porque é feita pelos homens. Ela é o que é, pois não podemos negar a natureza humana.
Nosso homenageado conseguiu remeter a Política para além do mundo ideal. Não é para qualquer um admitir suas fraquezas, corruptibilidade, ambição, suas mentiras e paixões. Não dá para esconder por muito tempo o mal presente em cada homem.

É perfeitamente compreensível a tentativa de esconder dos outros e até de nós mesmos a verdade sobre a nossa natureza humana. A feiura da verdade nos faz agir de uma forma enquanto pensamos de outra. Muito pior é que às vezes pensamos que somos uma coisa, mas na verdade somos outra. Não por hipocrisia, mas somos assim meramente por fraqueza. A nossa fraqueza pela franqueza nos faz acreditar que somos aquilo que desejamos ser e não o que realmente somos: cruéis, ambiciosos, mentirosos, etc.
Qualquer idealismo foi combatido a partir de sua obra. Não há uma pólis ideal, não há homens perfeitos e ideais. O homem foi reduzido a um ser desejante. O platonismo foi abolido, a duplicidade do ser humano, dividido entre o corpo e a alma, fundidos num só homem. O corpo como o império das paixões e a alma como morada da razão são unificados em prol da satisfação dos desejos.
Enquanto Platão atribuiu ao ser virtuoso a capacidade de submeter suas paixões à razão, o nosso filósofo reduz o homem a uma guerra contra tudo que o impede de alcançar os seus desejos e não uma luta interna, que no final das contas prevalecerá o bem (razão) ou o mal (paixões). Na verdade, o homem busca alcançar seus fins a qualquer custo!
A visão platônica nos faz acreditar que a Política é suja, repleta de vaidades, ambição, poder, mentiras e mesquinharias. Porém, acredita que esta fase (digamos eleitoral) é passageira, mas que um futuro melhor nos espera. O “eleito”, aceito nas urnas como o “melhor homem” ou “um homem melhor” fará uma Política melhor quando comparada aos dias de hoje. Acreditamos que a Política poderá ser melhor, mais digna, mais pura. E vai além: acreditamos que nós mesmos podemos ser melhores que atualmente somos.
Maquiavel nos traz à realidade. Apresenta-nos o mundo real! Desilude-nos: NÃO PODEMOS SER MELHORES DO QUE SOMOS. Basta olharmos ao redor e constatar o que temos feito hoje e no passado. Estaremos sempre aquém dos discursos de uma Paraty melhor, das melhores propostas e planos traçados para a nossa vida em sociedade. A ambição nos homens tem raízes profundas e jamais o abandonará, por mais elevada que seja a sua situação.
Neste momento do texto todos estarão me odiando por ter tirado suas esperanças por dias melhores. Não por dias melhores possíveis, mas por dias melhores impossíveis, mas desejados por todos nós. Neste caso, o ódio transforma-se nas urnas em um sentimento por MUDANÇA. Queremos negar a natureza humana. Queremos uma Política melhor. Queremos negar o que está posto. Desculpa aos que pregam o presente e que tentam apresentar um passado de realizações, mas a MUDANÇA será inevitável, mesmo que ainda não possamos ser melhores do que já somos: maquiavélicos por natureza!