sábado, 28 de janeiro de 2012

Casé. Ninguém mais poderá fazer mais e melhor!

Outro dia cheguei a postar no facebook que o governo de Paraty tem aprovação de mais de 80% da população quando somadas as respostas  "bom" e "ótimo" manifestadas em pesquisa de opinião. É importante fazer distinções entre governo e a figura do prefeito. Na verdade, a população associa muito mais os resultados, mesmo que inócuos ao seu bem-estar, à empatia e ao carisma do prefeito e costuma ser generosa em suas avaliações. 

É inegável que o atual prefeito desfruta de uma boa imagem pública e de altos índices de popularidade. Porém, isso não quer dizer que ele conseguirá transferir suas qualidades políticas ao seu sucessor, mas poderá influenciar em parte seus eleitores. Por outro lado, não sendo candidato a nada em 2012 e ainda existir dúvidas acerca do candidato (mesmo que camuflado de oposição) para representar a situação por parte de grupos de interesse ligados ao governo, o atual prefeito encontra-se, em termos políticos, com os "pés de barro". Isto é, sua área de manobra fica prejudicada e suas políticas afirmativas demonstram muito mais a necessidade de consolidar o seu nome como um ótimo administrador público e realizador a construir uma plataforma política para transferir votos ao seu candidato. Nesse caso há um vácuo político ainda a ser preenchido. 

Para surpresa de muitos, ainda existe um abismo entre a figura do prefeito, até então bem avaliada, e o seu candidato oficial ou extra-oficial à sucessão. Há um descolamento, um distanciamento. Portanto, preservar a sua imagem de homem público e deixar o governo bem avaliado é um fim e não um meio para o atual prefeito. Iludam-se aqueles que se aventuram em buscar a situação pensando em colher os frutos para o sucesso nas urnas. Hoje, quem exerce a figura de "líder operacional" será o candidato que conseguir criar uma aproximação, uma identidade, uma correlação com os avanços do governo. É inegável que ocorreram avanços em Paraty. Os royalties do petróleo alavancaram os investimentos públicos. Não estou analisando a qualidade dos investimentos, mas a grosso modo eles foram aplicados. 

Parece-me que o Casé tem vantagem neste ponto. Consegue com o slogam de seu discurso "Paraty pode mais e melhor" passar a seguinte mensagem a todos os eleitores: a) quando diz fazer mais, suscita uma continuação destes avanços e, por isso, implicitamente reconhece a popularidade do atual prefeito e cria uma identidade com ele, coisa que outros candidatos não conseguiram apropriar-se, mas ao mesmo tempo nega a continuação do atual governo quando diz que fará melhor - aqui está o pulo do gato do sucesso pré-eleitoral do Casé; b) quando diz que fará melhor, neste ponto suas críticas remetem à maneira, à forma, ao modo que os recursos públicos são aplicados, ou seja, deixa claro que poderiam ser melhores aplicados, com maior eficiência, eficácia, efetividade, moralidade, economicidade, etc. A postura de ser oposição já consolidada no município o credencia para tal. 

Já os candidatos rivais ao Casé impregnaram em seus discursos palavras-chaves como maturidade administrativa e experiência pública. Aqui está o problema, pois quando referem-se à experiência o eleitor tenta recorrer aos seus feitos passados e deparam-se com a massiva campanha do atual prefeito em apresentar os seus. Suas experiências são ofuscadas pelo prefeito atual. O discurso fica ainda pior quando dizem que se tivessem o orçamento milionário poderiam fazer mais e melhor. Esquecem que buscaram o governo para serem candidatos da situação e que fazer melhor deverá ser precedido de uma postura de oposição. Por outro lado, fazer mais implica, de certa forma, de uma dose de ineditismo para que o povo não consiga comparar suas realizações passadas com os avanços do atual governo. Quando voce tenta lembrar o povo dos seus feitos passados, sua candidatura sofre um descolamento, a desconexão é imposta e o distanciamento com os avanços do governo torna-se evidente e transforma-se numa premissa inexorável de fracasso nas urnas. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A resignação do PMDB em Paraty.


Diversos blogs de Paraty têm especulado sobre o cenário político no município. Cada um defende a sua profecia. O assunto em pauta é sobre as possíveis alianças políticas, principalmente com o PMDB. Por que o PMDB em Paraty é alvo de suposições quanto a sua preferência em matéria de aliança política? Antes mesmo de entrar neste assunto é necessário estabelecer a priori algumas premissas, sem as quais ficaria impossível emitir uma opinião.

Premissa 1: historicamente, mesmo no período do bipartidarismo (ARENA e MDB), instituído em 1965, findo em 1979, em pleno regime militar, nas eleições municipais cada um dos dois partidos indicava até 3 candidatos para concorrerem com o partido oposto e também entre si. Em Paraty, as disputas mais acirradas aconteciam entre os candidatos do mesmo partido.
Premissa 2: com o retorno do pluripartidarismo, desde 1980 as disputas internas originam dissidentes; 1) novas legendas são criadas para acomodar interesses comuns; 2) muitas são apenas criadas para facilitar a participação de um candidato isolado, geralmente populista e personalista, que arrebanha o voto no seu “curral eleitoral” e se beneficia do voto personificado em detrimento do voto na plataforma política do partido que representa; 3) outras são formadas por diversas lideranças com interesses particulares e até mesmo divergentes entre si e não representam um grupo com interesses em comum, tampouco defendem uma “ideologia política”. As duas últimas são chamadas de “siglas de aluguel” e atualmente definem a maioria dos partidos existentes. Os partidos perderam suas identidades, seus ideais, suas razões de existir.
Premissa 3: Líderes dos partidos atuais como o PMDB, PT, PSDB e DEM estiveram presentes na vida política desde a primeira manifestação pública em prol das eleições diretas realizada em 1983 até a última eleição direta ocorrida em 2010. O PMDB nunca elegeu um presidente da república, deixou de ser o protagonista no atual cenário político, mas sempre faz parte do governo, independente da ideologia do seu aliado. Perdeu sua identidade e atualmente é mais conhecido como partido da “governabilidade”, ou seja, deixou de ser a engrenagem que movimentou o processo de redemocratização no país e tornou-se apenas o óleo lubrificante. O PSDB, depois de oito anos na presidência, fica limitado ao estado de São Paulo, pois não consegue impor no país uma agenda de oposição ao governo do PT. O PT, por sua vez, perde a sua identidade ideológica e sua diferenciação entre os demais partidos quando é acometido pelos diversos escândalos de corrupção no governo federal, principalmente, pelo mensalão. O DEM tenta livrar-se do estigma de uma direita forjada no regime militar e que estará sempre na espreita para figurar junto ao PSDB o papel que hoje se submeteu o PMDB. Alguns líderes dos partidos contrários à Ditadura ainda tentam tirar proveito de um passado de lutas, mas não deixam de exercer uma coerção eleitoreira e de cunho pessoal, ou seja, uma postura populista e personificada de poder.
Premissa 4: Em Paraty, desde a eleição de 1988 houve uma alternância no poder. Naquela eleição o vencedor foi o recém-fundado PDT encorpado por dissidentes do PMDB e ainda aliado aos demais dissidentes do antigo PDS. Em 1992 o PMDB saiu vitorioso. Na verdade, retornou ao poder, pois já havia governado Paraty de 1982 a 1988. Em 1996 surge uma nova liderança. Essa eleição foi atípica. O atual prefeito, na época pertencente ao PDT, perde a convenção do partido e deixa de concorrer. Um novo grupo composto por diversos partidos pequenos liderado por um “Salvador da Pátria”, inclusive com a participação do PT, vence as eleições majoritárias municipais, mas não tem representatividade na Câmara de Vereadores. Nas eleições de 2000 o PMDB retorna ao cenário político e aliado ao PDT vence as eleições. Neste pleito, a aliança PMDB-PDT concorre com mais dois candidatos: com o sucessor natural da situação (PSB) e com o grupo político do atual prefeito, agora filiado ao PFL. Em 2004 os grupos derrotados se unem em torno de uma única candidatura, sendo agora o PTB, partido sem nenhuma tradição no município, detentor da candidatura do atual prefeito que faz-se vencedor. O PT impõe-se como partido de oposição ao governo no período de 2005-2008 e seu candidato é o terceiro colocado nas urnas. Com o instituto da reeleição este mesmo grupo se mantém no poder, vencendo as eleições de 2008. O PT assume o lugar do PMDB como opositor direto ao governo atual quando alcança o segundo lugar na disputa majoritária em 2008. O PMDB passa a ser opositor figurante no cenário político e o ex-prefeito, um dos líderes do partido, chega a flertar uma aliança política com o grupo do atual governo, assim como o “Salvador da Pátria”. Tal postura, mantida até os dias atuais resultará no total enfraquecimento do partido, ao contrário do que muitos possam estar pensando. Neste caso, fazer-se de cobiçado por ambos os lados (PT e governo) para apreciar o seu passe e aumentar o seu poder de barganha levará o partido pelos caminhos da indiferença e inviabilizará qualquer discurso pré-coligação, principalmente de conteúdo oposicionista . Isso é mais evidente na pré-candidatura do "Salvador da Pátria", que hoje não pode fazer um discurso defendendo o governo porque não sabe se estarão juntos, e, por outro lado, também não pode se colocar como oposição e apontar as mazelas do atual governo. Tornou-se um pré-candidato "sem discurso". Há mais de 20 anos que grupos políticos em Paraty se unem em busca de vitórias nas urnas, mas nunca antes na história da política em Paraty tais alianças se tornaram tão imprevisíveis. Durante o bipartidarismo as disputas, dissidências e as alianças já existiam, mas estas aconteciam no interior do próprio partido (MDB e ARENA) tinham uma certa coerência e grupos de fácil distinção. Na atual conjuntura política, com o surgimento de novos partidos e a permanência ou não dos partidos de origem, as disputas, dissidências e alianças acontecem no nível das legendas, mas isso não implica em fidelidade partidária, o que confirma as premissas anteriores.
Estabelecidas as premissas, vamos à análise. Como figurante no papel de opositor ao governo, o PMDB tem três opções: 1) lançar uma candidatura própria, mas isolada. O partido não será capaz de forjar uma aliança sendo cabeça de chapa; 2) hoje, o partido não está em condições de colocar-se como líder de um processo oposicionista e pode buscar a situação para sugerir uma aliança, ser cabeça de chapa apostando na baixa popularidade do virtual sucessor do atual governo ou manter a sua posição de figurante se sujeitando em oferecer o vice-candidato para o governo e perder a sua tradição histórica de opositor já relegada a segundo plano; 3) coligar-se com o PT (líder da oposição em Paraty) sendo vice na chapa majoritária, afastar-se do governo e neutralizar os dissidentes utilizando o poder de persuasão dos seus convencionais que ainda representam interesses em comum. A primeira opção é derrota certa. A segunda opção também o levará ao fracasso, pois o PMDB não tem condições nem de pleitear a liderança na oposição, quanto mais brigar pela cabeça de chapa junto ao atual candidato do governo, mesmo que este não represente a melhor escolha do governo para concorrer ao pleito e isso, por si só, já inviabilizaria o seu sucesso nas urnas. Só a última opção poderá levá-lo à vitória, pois a aliança com o governo, além de conduzir o partido à condição de mais um, dentre tantos outros grupos que hoje se servem do poder, demonstrará uma fraqueza, conivência com os maus momentos do atual governo nos últimos 8 anos e submissão aos caprichos de uma minoria do partido que hoje já desfruta das benesses distribuídas pelo governo.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O eleitor maquiavélico


“[...] como minha intenção é escrever o que tenha utilidade para quem estiver interessado, pareceu-me mais apropriado abordar a verdade efetiva das coisas, e não a imaginação” Maquiavel, O Príncipe.

Assim começa o capítulo 1 do livro de Júlio Pompeu, “Somos Maquiavélicos”, da Ed. Objetiva, na tentativa do autor em explicar o método adotado pelo florentino para falar das coisas como realmente são ao invés de tratar de países ou reinos imagináveis, ou seja, das coisas como gostaríamos que fossem.

Desde Platão e sua Pólis governada por filósofos, passando por Santo Agostinho e a “Cidade de Deus”, Rousseau e a república calcada no “Contrato Social”, Thomas Morus e a “Sociedade Utópica”, Marx e a concepção de uma sociedade sem classes, até chegarmos ao início da década de 70 do século passado com a “Teoria da Justiça” sugerida pelo norte-americano John Rawls, Maquiavel desafiou autores de tempos passados e futuros e suas obras políticas que tratam da política como ela deveria ser, mas nunca se concretizaram como um sistema, como cidade ou como país.

Há séculos somos e seremos bombardeados com promessas de uma cidade, estado ou país melhores, perfeitos. Os políticos perceberam que seus eleitores querem morar na cidade utópica de Thomas Morus, sem guerras, sem fome e com justiça. Que a hierarquia celeste proposta por Santo Agostinho para uma cidade governada por Deus e seus subordinados: santos, arcanjos, querubins, etc., serviria de exemplo para uma perfeita organização social do poder entre os homens ou, simplesmente, regidos pelas leis da vontade geral do contrato social estabelecido entre eles para regular a vida em sociedade, ou ainda uma sociedade sem classes sociais, sem Estado e com total abolição da propriedade privada dos meios de produção. Cada candidato tenta imprimir ao seu discurso a ideia pouco original de um mundo melhor.

É bem verdade que o candidato tem a percepção que o povo precisa renovar suas esperanças a espera por dias melhores. Por isso seus discursos e teorias não passam de mera imaginação e projetos fantasiosos. Nesse ponto os políticos parecem ser maquiavélicos, pois usam muito mais a percepção que a imaginação, pois qualquer promessa, por mais banal e tosca que seja, ainda pode iludir boa parte dos eleitores.

Já o eleitor, este está muito mais próximo dos autores políticos e suas obras consagradas como mensagens verdadeiras, mas combatidas por Maquiavel, uma vez que usam muito mais a imaginação que a percepção. Maquiavel acha profícuo escrever sobre política tratando da verdade efetiva das coisas, trazendo as questões para o mundo das percepções e abandonando o mundo das ideias.

Maquiavel apresenta em sua obra “O Príncipe” as experiências próprias e de outros homens e delas traz à tona sábias conclusões que remetem à prudência como forma de bem agir para alcançar determinado fim. No entanto, Maquiavel não se refere à prudência como a escolha da melhor ação decorrente de suas preferências em relação a um grande feito em detrimento de outro à altura. É certo que o florentino não é um idealista, mas caracterizá-lo meramente como um relativista não seria justo. A natureza humana como tal é o ingrediente que dá sentido as suas lições. Sem levar em conta a natureza do homem não haverá verdade nos ditos de Maquiavel, pois sua obra não passaria de um resultado estático de sua época, de costumes que já se perderam com o tempo.

O eleitor precisa ser prudente ao votar e nunca subestimar a verdade efetiva das coisas. Tampouco a natureza humana, principalmente quando manifestada e aflorada nos candidatos ávidos por votos.

Nenhum autor poderia ser considerado realista sem introduzir em sua obra a natureza humana, pois negar o homem como ele é não passa de idealismo e, nesse caso, não seria útil para além do seu tempo. Maquiavel vê nos feitos políticos a natureza humana para fundamentar a realidade, pois “quem despreza o que se faz pelo que deveria ser feito aprenderá a provocar a sua própria ruína” Maquiavel, O Príncipe.

Portanto, eleitor, não se iluda. Seja maquiavélico ao votar!